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NOTÍCIA PUBLICADA EM 12/04/2012 17:01
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CIDADE » SAÚDE
Fisioterapia garante qualidade de vida para crianças hemofílicas

Exercícios previnem lesões musculares e ajudam no desenvolvimento motor; clínica da Unopar tem projeto pioneiro com atendimento gratuito

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Um projeto pioneiro do curso de Fisioterapia da Unopar está mudando a realidade de crianças hemofílicas de Londrina. Duas vezes por semana as mães trazem os filhos para fazer exercícios na Clínica de Fisioterapia que a Universidade mantém no Jardim Piza. O atendimento é gratuito e ajuda na prevenção de lesões e no desenvolvimento motor. Os resultados são tão importantes que a Unopar ampliou o projeto e está oferecendo mais vagas para a comunidade.

Tudo começou em 2008 quando Vinicius nasceu. A mãe dele, Josiane Maria Castelo Zama, tinha um irmão hemofílico e estava atenta para a possibilidade de ter um bebê com a doença. Os primeiros sinais da hemofilia apareceram quando Vinicius tinha 5 meses e Josiane resolveu agir: “Sou técnica em enfermagem e conheço bem as conseqüências da doença. Eu sabia que a hemofilia provoca sangramentos nas articulações e que isso pode causar atrofia em crianças e adolescentes. Não podia deixar acontecer isso com meu filho. Ouvi dizer que a fisioterapia fortalecia os músculos e evitava esse quadro e então procurei a clínica da Unopar para pedir ajuda”, conta.

A professora Katia da Silva Alves aceitou o desafio. O tratamento de Vinícius começou quando ele tinha 8 meses. “Os exercícios de fisioterapia favorecem a preservação dos músculos, prevenindo as sequelas”, explica Katia. Mas não é só isso: eles também ajudam a coordenação e o equilíbrio, trazendo melhor qualidade de vida para as crianças. No mês passado uma equipe de especialistas de Curitiba fez uma avaliação em todas as articulações de Vinícius e constatou que até agora ele não tem nenhum problema.

Para entender melhor o que a fisioterapia faz pelos hemofílicos é preciso conhecer um pouco a doença e suas consequências. A hemofilia é uma característica genética congênita que afeta a produção dos fatores coagulantes do sangue, provocando sangramentos espontâneos (hemorragia) que causam dor e inchaço, perda de movimento, principalmente nas articulações e nos músculos. No Brasil a incidência é de um para cada cinco mil bebês do sexo masculino, já que há uma prevalência nos homens para desenvolver a doença; as mulheres são apenas portadoras.

O primeiro sinal ou sintoma são manchas roxas que aparecem sem causa aparente. “A hemorragia pode ocorrer nas articulações, músculos, mucosas e pele e como isso é doloroso, a criança desenvolve mecanismos de proteção, adotando posturas inadequadas. Podem ocorrer atrofia muscular, encurtamentos, deformidades e assimetria dos membros”, explica a professora Kátia.

Além dos mecanismos de proteção adotados pelo próprio doente, muitas vezes a família superprotege as crianças hemofílicas, chegando a causar atrasos no desenvolvimento motor. “Por isso é interessante iniciar o tratamento fisioterápico em bebês. Com diagnóstico precoce, nosso trabalho é mais efetivo”, aponta Kátia.

Os exercícios podem ser feitos no solo ou na água. Na Clínica de Fisioterapia da Unopar a piscina aquecida vem sendo usada regularmente para as crianças inseridas no projeto. “A água, além de tornar os exercícios prazerosos, oferece menos atrito e favorece a associação de exercícios respiratórios”, aponta a professora.

Segundo Kátia, quanto mais cedo começam os exercícios, melhor é o resultado. O projeto só recebe crianças com encaminhamento médico e aí aparece uma falha no sistema de saúde: o diagnóstico tardio. Josiane conta que pediu várias vezes ao pediatra que fizesse exames no filho para verificar se ele era hemofílico: “Ele sempre dizia que as manchas roxas eram normais em crianças. Eu só fui confirmar minhas suspeitas depois que procurei outro médico”, lembra.

Ela também chama a atenção para a falta de informação dos pais, educadores e até de profissionais da área de saúde. “Conversei com muitas mães que não sabiam direito o que era hemofilia, pensavam que o filho tinha algum transtorno mental. Falta também tratamento especializado, a maioria dos pais que recebe esse diagnóstico não sabe onde e com quem buscar ajuda”, adverte.

Por conta disso, Josiane está liderando um grupo que quer criar um centro de apoio em Londrina. “Já temos uma casa no centro da cidade para hospedar pais com crianças hemofílicas que vêm de outras cidades procurando tratamento aqui. Conseguimos também tratamento domiciliar para essas crianças em Londrina. É um avanço”, comemora.

Serviço:

*O Projeto de Fisioterapia para Hemofílicos atende gratuitamente na Clínica de Fisioterapia da Unopar às terças e sextas das 11h às 12h. Informações pelo telefone (43) 3371-7816.

FONTE: Unopar/Assessoria de Imprensa

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