Entre as declarações feitas pelo ex-vereador Orlando Bonilha ao Ministério Público na tarde desta quarta-feira (4), em um longo depoimento, estão informações inesperadas, como a de que a Transportes Coletivos Grande Londrina pagava "mesadas" a doze vereadores no valor de R$ 1,6 mil mensais. Bonilha confessou que recebeu a "mesada" desde o seu primeiro dia de vereador, há onze anos, e disse que o pagamento era feito diretamente a ele por Gildalmo Mendonça, diretor da Grande Londrina. O empresário negou o pagamento e disse que a TCGL não precisa da Câmara "para nada".
Outra afirmação de Bonilha é a de que havia um intenso comércio de votos para a eleição à presidência da Câmara. Ele mesmo teria recebido R$ 50 mil de Sidney de Souza, atual presidente, para votar em seu nome. Quando se elegeu presidente do Legislativo, Bonilha disse que havia pago o mesmo valor ao petebista por seu apoio. "Toda eleição na Câmara é comprada", disse o seu advogado, aos jornalistas, repetindo a declaração de Bonilha aos promotores, em sala fechada.
Nesta quarta, Bonilha envolveu mais dois parlamentares - que ele incluíra inicialmente em uma lista de isentos de culpa - em supostos atos de corrupção. Roberto Fu (PDT) e Maria Ângela Santini (PT) teriam recebido, segundo ele, R$ 5,5 mil e R$ 1,8 mil, o primeiro pelo voto a um candidato à presidente da Casa e o segundo referente a um "presente de fim de ano".
Detalhes de negociações internas no Legislativo para aprovação de leis "sob encomenda" também foram fornecidos aos promotores. Ele falaria ainda sobre o esquema de corrupção na Acesf (Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina) e licitação fraudulenta de lotes no Cemitério São Paulo.