Em julho do ano passado, a Polícia da capital paulista descobriu no bairro do Itaim Bibi, zona sul, uma casa repleta de lixo e quinquilharias guardadas pela proprietária do imovel, a espanhola Violeta Martinez. Eram mais de 200 toneladas de lixo, entre alimentos velhos a caixas com objetos antigos. A estrangeira colecionava lixo há 20 anos em seu sobrado. Apesar de rica, ela pedia tranqueiras na rua para levar para casa.Especialistas disseram que Violeta sofreria de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), um distúrbio de ansiedade que faz com que as pessoas desenvolvam obsessões, compulsões e rituais estranhos. Segundo Mara Push, psicoterapeuta da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), existe a compulsão por armazenagem. O paciente tem dificuldade em descartar objetos, mesmo os que não têm utilidade, pensando que podem ser úteis em algum momento.
É diferente do colecionador, que seleciona o que quer guardar e preserva o objeto com cuidado e higiene. Quando a pessoa guarda algo e passa a fazer disso uma obsessão, aí vira doença. Normalmente, dizem os especialistas, se escolhe algo para compensar uma carência, uma falta de afeto.
Como nem sempre o paciente que sofre de transtorno obsessivo compulsivo admite ter a doença, os familiares devem ficar atentos a alterações no comportamento das pessoas próximas. Se elas guardam muitas coisas em casa, de forma obsessiva, e perdem a vida social, devem ser encaminhadas a uma consulta com um clínico-geral ou ir a um psiquiatra. Veja outros pontos a serem observados:
1 - Se a pessoa apenas coleciona algumas cartas ou papéis que tenham valor afetivo, não é um caso alarmante. O mesmo vale para quem tem algumas manias que não mudam sua rotina.
2 - Quando a pessoa deixa de trabalhar, estudar e sair por causa dos objetos que guarda em casa, ela pode sofrer algum distúrbio.
3 - É importante observar se o que está sendo guardado realmente tem alguma utilidade prática. Se for lixo, artigos quebrados (como lâmpadas queimadas), há indício de TOC.