COLUNA PUBLICADA EM 14/11/2006 10:40
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Idéias S/A

Não basta ser líder: tem que ser Coach !

 

Dr. Tadeu Alvarenga

Qualquer um que visite uma livraria hoje ficará facilmente surpreendido com a grande quantidade de livros que se propõem a desenvolver ou aperfeiçoar a capacidade de liderança. Tem-se, por vezes, a impressão de se estar em um verdadeiro buffet com as mais diversas iguarias à nossa disposição.

Temos de tudo: a Liderança Transformadora, a Liderança Servidora, a Liderança Baseada em Princípios, a Liderança isso, a Liderança aquilo, e por aí vai. Se nós desconsiderarmos aqueles autores que meramente colocam um adjetivo ao lado da palavra "Liderança" e simplesmente repetem os mesmos velhos conceitos como se fossem alguma coisa nova "saída do forno" – autores estes que não nos ocuparemos aqui neste artigo –, o número de Modelos e Estilos de Liderança à nossa disposição ainda é extremamente grande.

Existe uma razão muito simples para a relativa abundância de livros sobre o assunto e a razão é esta: cada vez mais as pessoas e organizações estão percebendo que os antigos Modelos de Liderança e Gestão não atendem mais às suas necessidades e estão se voltando à busca de novos Modelos que atendam a estas necessidades. Dentro deste processo de busca de formas mais eficientes de liderar pessoas, o coaching tem se destacado como uma das mais completas soluções para o desenvolvimento da liderança - senão a mais completa.

As razões para isto são várias, e aqui gostaríamos de destacar algumas das que consideramos serem as principais:

1. O Coaching como Modelo de Liderança diminui a pressão sobre os liderados.

O Líder Coach tem como ponto de partida o respeito incondicional pelo liderado enquanto ser humano. Isto é natural e imediatamente percebido pelo liderado - seja de uma forma consciente ou inconscientemente - o que diminui o antagonismo e as barreiras ao exercício da liderança por parte do Líder Coach, melhorando e solidificando, desta forma, a relação de liderança.

Esta melhora na relação de liderança, por sua vez, se traduz por um melhor aproveitamento do potencial do liderado: é esta característica em especial que tem tornado o Coaching o modelo de liderança mais adaptado aos tempos modernos.

Em uma sociedade globalizada e interconectada, onde concorrência acirrada e a alta competitividade são as regras do jogo, a criatividade e o talento dos colaboradores se tornam verdadeiramente os maiores ativos de qualquer organização – independentemente do porte, do setor ou do número de funcionários. Você simplesmente não consegue mobilizar talentos na base do chicote: isto só é possível se houver de fato uma liderança capaz de despertar o potencial para o melhor nas pessoas – e o Coaching atende perfeitamente a esta necessidade.

Isto significa que aquele chefe autoritário e carrancudo que era um verdadeiro "feitor" de Pessoas – e não um gestor de pessoas, vejam bem – está, hoje mais que nunca, com os seus dias contados. Isto porque este Estilo de Liderança simplesmente não funciona mais – se é que algum dia funcionou. As pessoas não mais suportam serem destratadas ou tratadas como peças de maquinário: elas querem e precisam ser tratadas como os seres humanos que são.

Isto é fundamental se uma empresa quer atingir a excelência em atendimento ao cliente, se ela quer colocar novos produtos e serviços no mercado ou se ela quer se destacar perante a concorrência.

Todos estes processos envolvem pessoas. E pessoas, para serem criativas e produtivas, devem estar verdadeiramente comprometidas com aquilo que fazem e isto tem que partir da liderança. Dentro deste ponto de vista, o Coaching tem se mostrado como um dos modelos de liderança mais eficientes para garantir o comprometimento dos liderados.

2. O Coaching como modelo de liderança diminui a pressão sobre o líder.

Lembra daquele Chefe autoritário e carrancudo de que falamos acima? Não seria surpresa para ninguém se um belo dia ele enfartasse, não é mesmo? Na verdade, o que cada vez mais se tem percebido é que o antigo modelo autocrático é tão ou mais prejudicial para o próprio chefe quanto o é para os liderados. Neste modelo, o chefe muitas vezes entendia que ele – e nada além dele – era a única coisa que separava a organização para a qual ele trabalhava do mais completo caos: este tipo de pressão psicológica por vezes cobrava algum preço, seja emocional, ou mesmo em termos de saúde física.

O modelo de liderança baseado no coaching, ao diminuir a pressão sobre o líder, não só contribui para o aumento de sua qualidade de vida, como também libera a atenção do líder para aquilo que realmente é da sua competência: o ganho imediato é uma liderança mais focada em resultados e na geração de valor para o negócio.

3. O Coaching como modelo de liderança facilita a atuação do RH.

Eu deverei abordar este tema em outra oportunidade com uma maior profundidade, mas, por ora, é importante aqui destacar que o RH é, de longe, um dos maiores beneficiados pela disseminação da cultura de Coaching dentro da empresa. Isto porque o Coaching facilita, e muito, o trabalho do Gestor de Pessoas – e é muito fácil entender porquê.

Se partirmos do pressuposto que, em toda empresa, em toda organização – qualquer que seja a sua natureza –, existe sempre um grau de tensão entre os seus componentes, e que o Coaching, como estilo de liderança, contribui para uma diminuição significativa desta tensão, fica fácil de se entender porque o trabalho do RH se torna imensamente facilitado.

Além disso, como já o dissemos em outra ocasião, o RH, dentro de uma empresa que tenha adotado uma cultura de Coaching, assume de fato um papel privilegiado como Coach dos Coaches, o que facilita enormemente o desempenho de sua função estratégica.

Por estas e por outras razões, o Coaching tem se tornado o modelo de liderança que mais cresce no Mundo. Hoje, mais que nunca, não basta ser líder: tem que ser Coach!

Dr. Tadeu Alvarenga é Consultor de Empresas e Palestrante nas Áreas de Atendimento ao Cliente, Vendas e Liderança. Pode ser contatado pelo e-mail contato@tadeualvarenga.com ou pelo Site www.tadeualvarenga.com

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